O ato de esperar sempre exige muita
perseverança e determinação. Seja a espera de uma oportunidade na vida sentimental,
profissional, ou espiritual, é preciso ter profunda convicção de princípios
para não ceder à tentação de tomar alguns “atalhos” na vida.
É difícil agir com ética, nobreza de
caráter e de acordo com valores cristãos em meio a uma multidão de pessoas que
estão sempre “tirando vantagem” das situações, quebrando regras e agindo “de
acordo com seu coração” e aparentemente são mais bem sucedidos que nós.
A decepção é inevitável à medida que
percebemos o passar do tempo, levando consigo oportunidades tão esperadas,
deixando uma sensação de vazio e de que estamos perdendo o “melhor da vida”. Desse
modo, a espera torna-se solitária e difícil.
Um exemplo claro disso é a situação de
muitos jovens que precisam suportar as pressões ao seu redor, seja pelos
familiares ou amigos, a respeito da sua vida sentimental. Desde cedo, eles
aprendem que precisam ser muito fortes para ousar viver de modo diferente em
uma sociedade totalmente corrompida como a nossa. São alvo de piadas irritantes
e incômodas devido ao fato de terem decidido não seguir o padrão da maioria,
aguardando a pessoa certa para se relacionarem e construírem uma família.
Muitas vezes se questionam se vale mesmo a pena renunciar a tantas sensações, à
medida que até mesmo seus pares as vivenciam e não aparentam sofrer dano algum,
ao mesmo tempo em que seu momento parece demorar demais. Por isso, alguns terminam por mergulhar na primeira
oportunidade que surge para fugir da solidão, arrependendo-se posteriormente.
De fato, quem espera nem sempre
alcança e às vezes se cansa. Não se pode fugir dessa verdade! Nem todos os
sonhos e projetos se realizam, não podemos controlar tudo. Perdemos ao invés de
ganhar, mesmo quando acreditamos merecer a vitória. Vivenciamos decepções em
nossos relacionamentos com pessoas que acreditávamos ser nossa alma gêmea.
Choramos sozinhos sentindo falta de alguém que nem conhecemos. Contudo, através
das perdas aprendemos lições importantes, tão bem expostas por Yla Fernandes:
Nem todos os dias
terão sol,
Nem todas as rosas terão perfume.
Nem todas as pessoas serão amáveis.
Nem todas as respostas serão "sim".
Nem todas as lutas serão vencidas.
Eu sei que as vezes não será fácil,
Nem tudo será como eu quero e espero,
Mas será como Deus quer,
E tenho certeza de que o querer de Deus é o melhor pra mim.
Isso é Deus me ensinando a viver.
Nem todas as rosas terão perfume.
Nem todas as pessoas serão amáveis.
Nem todas as respostas serão "sim".
Nem todas as lutas serão vencidas.
Eu sei que as vezes não será fácil,
Nem tudo será como eu quero e espero,
Mas será como Deus quer,
E tenho certeza de que o querer de Deus é o melhor pra mim.
Isso é Deus me ensinando a viver.
Conforme a autora ressalta, algumas circunstâncias
difíceis são meios usados por Deus para nos ensinar importantes lições. E se
nosso coração estiver disposto a aprender, elas resultarão em crescimento
pessoal. Com o passar do tempo, percebemos que algumas perdas (relacionamentos,
ideias, empregos, projetos) foram na verdade livramentos de Deus e sem elas
nossa vida tornou-se muito melhor.
Infelizmente a visão triunfalista
bastante difundida em nosso meio nos faz acreditar que obrigatoriamente vamos
vencer sempre e que há algo errado em nossa vida se ela não está de acordo com
tais ensinamentos. Contudo, sabemos que os fundamentos da vida cristã não são
esses e que se nos reportarmos à Mangedoura, ao Calvário e ao Cenáculo,
perceberemos claramente que o amor, a renuncia, a dor, a humildade, a fé, a
oração e a comunhão são pilares da vida cristã autêntica. É necessário sempre
nos repensarmos sobre essas verdades nos momentos de espera, pois isso
fortalecerá nossa identidade, nos ajudará a lembrar quem somos em Cristo, de onde
viemos e para onde almejamos ir com Ele.
Embora nem sempre recebemos as boas
recompensas que acreditamos merecer, devido à nossa espera, as promessas
espirituais e a vida em plenitude com o Espírito Santo superabundam qualquer benção terrena. Basta analisarmos as
motivações dos cristãos primitivos, muitos desprovidos até mesmo do que
consideramos básico para viver, ou dos nosso irmãos na Coréia do Norte, no
Afeganistão e em muitos países da África e de outros continentes, os quais renunciam diariamente a convivência familiar,
empregos e até mesmo a liberdade por amor a Cristo. Para esses, as palavras de
Paulo tem um sentido extremamente real e reconfortante: : “Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei
perda por causa de Cristo.Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da
sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi
todas as coisas e as considero como refugo para ganhar a Cristo” (Fp 3,7-8).Refugo:
escória, esterco, algo sem valor.
Desse modo, ainda que a espera seja
longa, se a motivação for o amor a Cristo e aos seus ensinamentos, certamente
valerá a pena. E enquanto aguardamos as bênçãos de Deus, poderemos investir
nossos dons, talentos e bens materiais para a expansão do seu Reino e no
auxílio do próximo, o que ajudará a vencer a solidão e nos encherá de paz em
todas as circunstâncias.


