domingo, 29 de março de 2015

“QUEM VIVE DE PASSADO É MUSEU!”



“QUEM VIVE DE PASSADO É MUSEU!”
           
Este adágio popular carregado de sabedoria me faz lembrar de um grande amigo da nossa família, tremendamente usado por Deus na pregação das Sagradas Escrituras. A partir da ideia nele contida, é possível apreender preciosas lições para nossa vida.
Na carta aos Filipenses, o Apóstolo Paulo disse: “Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo premio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”(Fl 3.13,14)
Estas palavras tem um significado muito especial se pensarmos na vida de quem as disse. Paulo, o apóstolo dos gentios, sabia bem o que significava “deixar para trás”. Na mesma carta, há uma pequena biografia deste ilustre servo:
“Circuncidado no oitavo dia de vida, pertencente ao povo de Israel, à tribo de Benjamim, verdadeiro hebreu; quanto à lei, fariseu; quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível. Mas o que para mim era lucro, passei a considerar perda, por causa de Cristo. Mais do que isso, considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por cuja causa perdi todas as coisas. Eu as considero como esterco para poder ganhar a Cristo” (Fp 3, 5-8)
Um passado de peso. Uma história marcante na religião de seus pais. Israelita de berço, pertencente a uma tribo, estudioso e praticante da lei, fariseu.
James Strong descreve bem o grupo dos fariseus: “Procuravam reconhecimento e mérito através da observância externa dos ritos e formas de piedade, tal como lavagens cerimoniais, jejuns, orações, e esmolas. Comparativamente negligentes da genuína piedade, orgulhavam-se em suas boas obras”.
Deixar tudo isso para trás não deve ter sido fácil para ele. Quando uma mudança tão radical como a que ele sofreu ocorre, temos a impressão de ter perdido um pouco de nossa identidade. Somos confrontados e convencidos pelo próprio Espírito Santo. Foi assim que ele tornou-se cristão e Apóstolo dos Gentios.
Contudo, o texto que inicia este artigo traz verdades relevantes à nossa alma. Vivemos dias de esgotamento físico, mental e espiritual. Cansados, desanimados, não conseguimos mais prosseguir com a mesma força e ritmo na caminhada com Deus. Os cuidados da vida tem sufocado nossa visão do futuro com Cristo. O passado nos sufoca. É neste contexto que somos convidados pelo Mestre a deixarmos as bagagens e encontrarmos alivio nEle.
Escute seu coração acelerado, seu corpo pedindo arrego, sua alma clamando por águas vivas...
Pare com a correria, o estresse e deleite-se nas belas palavras de Deus.
Beba de suas fontes e jamais terá sede. Coma de seu pão e jamais terá fome.
Permita-se refletir acerca do Max Lukado disse:

Você os tem visto - com tudo o que eles próprios metem na bagagem - cambaleando pelos terminais e vestíbulos de hotéis, com malas abarrotadas, baús, mochilas e sacolas. 3 Dor nas costas. Pés ardendo. Pálpebras caídas. Todos já vimos pessoas assim. As vezes, nós somos pessoas assim - se não com nossas bagagens físicas, ao menos com nossas cargas espirituais. Todos arrastamos fardos para os quais não fomos feitos. Medo. Preocupação. Descontentamento. Não admira ficarmos tão cansados. Estamos exaustos de carregar excesso de bagagens. Não seria ótimo perder algumas destas malas?
(...) Preciso aprender a viajar sem bagagem. Você está se perguntando por que não posso. Libertese!, você está pensando. Não se pode aproveitar uma viagem carregando tantas coisas. Por que você simplesmente não 6 larga toda essa bagagem? Brincadeira? Você deve estar indagando. E eu gostaria de inquirir o mesmo de você. Você também não é conhecido por carregar alguma bagagem? Possivelmente, você o fez esta manhã. Em algum lugar entre o primeiro passo ao sair da cama e o último passo ao sair pela porta, você agarrou alguma bagagem. Você caminhou até a esteira rolante e agarrou a carga. Não se lembra? É porque você fez sem pensar. Não se lembra de ter visto o terminal de bagagem? É porque a esteira não é aquela do aeroporto; é a da mente. E as malas que carregamos não são feitas de couro; são feitas de encargos.(...)
Viajar sem bagagem significa confiar a Deus as cargas para as quais você não foi destinado.
O que você estava dizendo a mim, Deus está dizendo a você: "Arrie a carga. Você está carregando pesos que não tem de suportar". "Vinde a mim", Ele convida, "todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei" (Mt 11.28).

            Que o Deus que faz coisas novas possa nos ajudar a romper as barreiras e viver o presente, vislumbrando no futuro as bênçãos e vitórias que o Senhor tem preparado para nós.
“Não vos lembreis das coisas passadas, nem considereis as antigas. Eis que faço uma coisa nova, agora sairá à luz; porventura não a percebeis? Eis que porei um caminho no deserto, e rios no ermo”. (Isaías 43, 18,19)



BIBLIOGRAFIA

LUKADO, MAX. Aliviando a Bagagem.CPAD.
STRONG , James. Nueva Concordancia Strong.


terça-feira, 24 de março de 2015

A NOIVA



Numa época em que o meio de transporte mais usado ainda eram as locomotivas, um casal de jovens se conheceram e se apaixonaram com grande ternura. Porém existia uma diferença entre eles: o rapaz era pobre e lutava com esforço para sobreviver; a moça era rica e cheia de bens materiais. Seu pai era fazendeiro muito rico e dono de várias terras. Um certo dia o rapaz disse à sua amada:
— Preciso viajar. Vou até aquela cidade que tantos falam que faz muita gente prosperar. Sei que certamente irei conquistar nosso futuro lá.
A moça se entristeceu em seu semblante às vistas do rapaz. Ele esboçou um sorriso e abriu a palma da mão esquerda. Os olhos da jovem brilharam ao ver uma grossa e vistosa aliança de noivado.
— Lutei muito para comprar este anel para te dar. Sei que assim não você não irá se esquecer de mim e vai saber que não te esqueci.
— Não vou te esquecer — falou a moça.
Ele sorriu novamente, esperançoso. Falou:
— Irei para aquela cidade e logo que me firmar lá mandarei um telegrama escrito onde estou e que podes viajar para lá e me encontrar.
— Ficarei esperando ansiosamente o telegrama — ela disse.
Seis meses se passaram. Os dois se comunicavam apenas através de cartas.
A moça continuava sua vida de luxo ao lado de sua família, enquanto o jovem lutava na cidade grande, empregado numa metalúrgica, buscando uma vida melhor para um futuro casamento. Até que um dia ele foi promovido por sua competência e incessante busca por aprimoramento no trabalho. Seu patrão lhe disse:
— Não posso mais deixar você onde está, pois merece estar num cargo mais elevado. — então o colocou como supervisor da fábrica e mais tarde o escolheu para viajar à outra cidade para implantar nova fábrica. A notícia transformou-o no homem mais feliz do mundo. Enfim chamaria sua amada.
Após os últimos acertos para a viagem de inauguração, o rapaz escreveu o telegrama para sua noiva na cidade pequena:
Minha querida, estou escrevendo para pedir-lhe que venha o mais rápido possível. Fui promovido para gerente de uma nova loja que iremos inaugurar depois de amanhã. Sei que há um trem saindo amanhã de manhã da cidade. Tem que pegar este, pois só assim dará tempo de chegarmos juntos ao local da inauguração. Estou louco para tê-la ao meu lado para, enfim, casarmo-nos.
Com o telegrama nas suas mãos, ela leu ainda as últimas linhas onde constava o endereço dele. Ela sorriu e chamou suas criadas para ajuda-la a arrumar suas malas. Na manhã seguinte se despediu do seu pai e de sua mãe, esta, em prantos, disse:
— Você tem certeza de que quer ir, mesmo, minha filha? Não sabe se realmente ele conseguiu uma vida melhor pra você. E se ele estiver mentindo?
— Tenho que confiar nele, mamãe.
Após o capataz ter colocado toda a bagagem da moça (ao todo nove malas grandes e repletas de roupas e jóias de valor) sobre a carruagem o pai deu-lhe ordem para leva-la até a estação.
Chegaram lá atrasados, e quase não acreditaram quando viram tanta gente na estação para pegar aquele trem. Por que não reservei as passagens?
Resmungou ela consigo mesmo. Os senhores fardados com o uniforme da companhia estação anunciaram em voz alta que dentro de poucos instantes o trem estaria partindo.
— Depressa! — urrou ela para o empregado — Temos que colocar as bagagens no trem antes que ele parta!
Com todo esforço de capataz fiel, o homem que a acompanhava baixou toda a bagagem da filha do seu patrão e as colocou próximo ao trem. Já coberto pelo suor e exausto ele chamou um dos homens fardados que conferiam as passagens daqueles que subiam no trem. Quando o homem fitou a quantidade de bagagem que a jovem trazia ele abanou a cabeça negativamente. Falou a ela:
— Será impossível subir no trem com toda esta bagagem, senhorita. Sinto dizer que terá de levar apenas duas destas.
— O quê. Não pode ser, meu senhor…
— Infelizmente pode. Há muitos passageiros hoje e também muitas bagagens, a ponto de impormos uma cota de duas malas por pessoa, apenas. Por isso, se quiser viajar neste trem terá que levar apenas duas malas.
A moça olhou para toda a sua bagagem e pensou em toda as roupas e jóias que continham nelas. Lembrou do que a mãe lhe dissera: Não sabe se realmente ele conseguiu uma vida melhor pra você. E se ele estiver mentindo?
Ela estava preparada se ele estivesse mentindo, estava levando jóias e roupas que venderia se fosse o caso, mas agora, com apenas duas malas, não seria suficiente.
Os homens uniformizados gritaram a última chamada. O trem já iria partir.
A jovem então deu a ordem para o capataz:
— Pegue as malas e coloque-as de volta na carruagem. Eu… eu vou ficar.
No dia seguinte um telegrama chegou às mãos da moça. Estava escrito: Minha querida, estou escrevendo para pedir-lhe que não me procure mais. Meu amigo que recolhe passagens me disse que você preferiu ficar com suas bagagens a ter de me encontrar sem elas. Não o culpe nem o chame de fofoqueiro, pois fui eu mesmo que pedi para que ele inventasse a história da cota das bagagens. Queria ter certeza de que me amava de fato e verdade mais do que as riquezas desta vida a que estava tão acostumada. Infelizmente pude ter a comprovação de que não. Adeus.
No ano seguinte um jornal local publicou a foto daquele jovem sendo considerado um dos homens mais influentes do país, e ainda trazia o anunciado de que se casaria com a filha do dono da empresa que dirigia.
Jesus fala que não devemos ter amor às coisas deste mundo nem nos conformar com elas (Jo 12:25 e Rm 12:2) (bagagens), mas devemos segui- lo, ir após Ele (Lc 9:23), pois Ele não nos deixará órfãos (Jo 14:18) ou sem destino certo (Jo 14:6). Ele cuidará de nós e nos sustentará.
Não ame mais as bagagens deste mundo do que o Noivo. O trem já está prestes a partir.
(AUTOR DESCONHECIDO)