terça-feira, 10 de novembro de 2015

O menino que quebrou a escola

Este texto difere de todos os outros do blog, devido a dizer respeito ao universo da educação. Mas diante de tantos julgamentos, e da experiência enquanto educadora não pude deixar de publicá-lo.

Era um menino pequeno. Devia ter uns 7 anos. Não foi dito seu nome. Poderia ser João, Pedro ou Caio. Mas lhe deram muitos apelidos, todos feios.
Nada sabemos sobre sua família, seu passado, sua vida. Apenas alguns minutos de sua existência foram expostos para o público.
Ele andava, andava, mostrava seu descontentamento, externava tudo o que estava em seu interior (sentimentos que talvez nem ele mesmo soubesse definir).
E a professora parou, a coordenadora parou, a diretora parou, a equipe escolar parou. Esperaram a mãe. Filmaram e esperaram.
Que ela viesse, que desse um jeito, que pagasse o prejuízo...
E a sociedade julgou. Recriminou e deu seu parecer.
E o menino...? Bem, não se sabe ao certo.
Qual é seu nome?
Poderia ser meu aluno (já tive muitos, e alguns me lembram este).
Sim, eu poderia ser esta professora.
E poderia ser esta mãe também.
Poderia ser desta equipe.
Uma família que precisa de ajuda.
Uma escola que precisa de socorro.
Uma criança que precisa ser orientada.
É o que existe. Não um rótulo, um apelido, um julgamento.
Uma professora agredida por um aluno é alguém que precisa ser assistida (e isto poderia ter acontecido neste caso).
Vivemos em dias difíceis, nos quais a sociedade passa por transições imensas e não podemos comparar a nossa educação de antes, nem lamentar as perdas. Precisamos encarar que as mudanças ocorreram, boas ou ruins, estão aí.
Existem diagnósticos médicos, psiquiátricos e de outros profissionais. Nem sempre eles estão presentes na escola como deveriam e nem sempre a parceria é realizada de forma benéfica. Mas é possível.
A escola e a família precisam ser assistidas, para que outros garotos não apenas deixem de quebrar a escola, mas que não se “quebrem” a si mesmos.