Este texto
difere de todos os outros do blog, devido a dizer respeito ao universo da educação. Mas
diante de tantos julgamentos, e da experiência enquanto educadora não pude
deixar de publicá-lo.
Era um menino pequeno. Devia
ter uns 7 anos. Não foi dito seu nome. Poderia ser João, Pedro ou Caio. Mas lhe
deram muitos apelidos, todos feios.
Nada sabemos sobre sua
família, seu passado, sua vida. Apenas alguns minutos de sua existência foram
expostos para o público.
Ele andava, andava, mostrava
seu descontentamento, externava tudo o que estava em seu interior (sentimentos
que talvez nem ele mesmo soubesse definir).
E a professora parou, a coordenadora
parou, a diretora parou, a equipe escolar parou. Esperaram a mãe. Filmaram e
esperaram.
Que ela viesse, que desse um
jeito, que pagasse o prejuízo...
E a sociedade julgou.
Recriminou e deu seu parecer.
E o menino...? Bem, não se
sabe ao certo.
Qual é seu nome?
Poderia ser meu aluno (já
tive muitos, e alguns me lembram este).
Sim, eu poderia ser esta
professora.
E poderia ser esta mãe
também.
Poderia ser desta equipe.
Uma família que precisa de
ajuda.
Uma escola que precisa de
socorro.
Uma criança que precisa ser
orientada.
É o que existe. Não um
rótulo, um apelido, um julgamento.
Uma professora agredida por
um aluno é alguém que precisa ser assistida (e isto poderia ter acontecido
neste caso).
Vivemos em dias difíceis, nos
quais a sociedade passa por transições imensas e não podemos comparar a nossa
educação de antes, nem lamentar as perdas. Precisamos encarar que as mudanças
ocorreram, boas ou ruins, estão aí.
Existem diagnósticos médicos,
psiquiátricos e de outros profissionais. Nem sempre eles estão presentes na
escola como deveriam e nem sempre a parceria é realizada de forma benéfica. Mas
é possível.
A escola e a família precisam
ser assistidas, para que outros garotos não apenas deixem de quebrar a escola,
mas que não se “quebrem” a si mesmos.

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