Nos últimos meses
a palavra motivação tem ocupado frequentemente minhas reflexões. Não aquela
motivação prometida pelos livros de autoajuda ou palestras que prometem
estimular e ensinar o segredo do sucesso. Falo de uma motivação mais profunda,
que norteia a razão de nossas ações, que está no cerne de tudo o que pensamos,
planejamos e executamos em benefício próprio, do outro e do reino de Deus. Um
assunto que merece nossa atenção, visto que perpassa por tudo o que realizamos,
sejam decisões simples, corriqueiras, ou sérias. Não existe ação sem motivação.
Definida pelo
dicionário Aurélio como conjunto de fatores psicológicos (conscientes ou
inconscientes) de ordem fisiológica, intelectual ou afetiva, os quais agem
entre si e determinam a conduta de um indivíduo, essa motivação precisa
frequentemente ser analisada, pois revela os sentimentos mais profundos que
abrigamos em nosso interior.
O apóstolo Paulo nos deu um sábio conselho na
Epístola aos Filipenses, quando disse: “Nada façam por ambição egoísta ou por
vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a vocês mesmos” (Fp2, 3 NVI), ou em outra versão: “Não
façam nada por interesse pessoal ou por desejos tolos de receber elogios; mas
sejam humildes e considerem os outros superiores a vocês mesmos” (Fp2,3 NTLH).
Esta passagem evidencia que
quando realizamos algo em prol do Reino de Deus, nossas motivações podem ser
variadas. Desde o desejo de promover nossa própria imagem ou de um amigo, ou
ainda estorvar uma pessoa ou instituição. Tais motivações poderão até dar
resultados no plano terreno, mas estes, além de serem negativos no sentido
espiritual, poderão nos conduzir à reprovação diante de Deus naquele Grande Dia
em que todos nós estaremos diante dEle, prestando contas de nossas ações.
Em tempos hodiernos, em que
as redes sociais estão a todo o vapor, a exemplo do facebook, twiter e outros, é
necessário frequentemente revermos as motivações que geram nossas manifestações
nas mesmas. Quanto mais ativa é uma pessoa, mais é necessário que esta reveja e
repense acerca do que a move a estar postando determinada imagem ou comentário.
Muitos estão expondo a vida privada, os sonhos, a família (inclusive crianças)
sem antes passar pelo crivo da reflexão. E toda esta exposição certamente tem consequências
positivas ou negativas.
Achei muito positivo o
conselho publicado no Jornal Mensageiro da Paz que alerta:
De
acordo com pesquisa realizada no Brasil pelo Centro de Estudos sobre as
tecnologias da Informação, 68% dos pais acham que os filhos não irão passar por
situações de risco na internet. Enquanto isso, casos de sequestros, roubos, e
pedofilia são cada vez mais comuns e se tornam ainda mais fáceis de serem
cometidos, uma vez que a rede oferece não só a imagem da criança, mas de também
sua localização exata, lugares que frequenta, trabalho dos pais, bens da família,
etc. Uma dica importante é limitar a divulgação entre parentes e melhores
amigos. Isso pode ser feito alterando a configuração das postagens, que nunca
deve ter a opção “publica” (visível para qualquer pessoa) Mesmo quem limita
apenas ao grupo “amigos” deve restringir ainda mais determinadas imagens, já
que nem todos são realmente pessoas próximas. No facebook, por exemplo, basta
clicar em “Configurações” e depois em “Privacidade” para fazer filtros de
segurança, escolhendo quem pode ver ou não seus posts. Mostrar informações
escritas de onde estuda, mora, endereços, fotos de casa é perigoso, pois podem
expor a localização da criança e locais que ela frequenta. Nunca poste fotos da
criança nua, mesmo bem pequena. Não poste fotos que possam envergonhá-la no
futuro, nem que mostrem objetos de valor da família. Outro grande risco é
deixar que crianças criem seus próprios perfis nas redes sociais. Se os
próprios sites estabelecem limite de idade, por que ensinar seus filhos a
desrespeitá-lo? (MP, p. 19, Fonte NIC)
Diante do mundo tenebroso em que vivemos, precisamos
refletir não somente acerca de nossas próprias motivações e de nossos cônjuges e
filhos, mas também das consequências das mesmas para o nosso futuro, de nossa
família, e também dos grupos que participamos, como a igreja, por exemplo.
Por outro lado, temos visto
uma enxurrada de debates de toda a sorte, nos quais muitos denigrem
instituições ou crenças, atacam os contrários e tentam de muitas maneiras
demonstrar que suas teorias estão corretas. Alguns com sinceridade desejam
defender o que acreditam, mas como a linha entre a defesa e o ataque é muito
tênue, podem contribuir mais ainda para que a imagem das instituições que
defendem ser denegrida.
Enfim, seja qual for a nossa
postura, se não tivermos a motivação correta, poderemos até acreditar estarmos
agindo em prol do Reino de Deus, e naquele Grande Dia sermos decepcionados pela
resposta do Mestre.
Enquanto ser onisciente,
Deus conhece profundamente nossos corações a verdadeira natureza de nossas
motivações. O episódio na casa de Simão, por exemplo, (confira João 12) quando
Maria foi mal interpretada e criticada por muitos quando colocou aos pés do
Mestre aquele perfume caríssimo, o que era considerado um desperdício, mas
Jesus que conhecia sua motivação (a qual buscava demonstrar sua devoção ao
Mestre) não somente declarou que sua ação era boa, como afirmou que aquele
gesto de amor seria divulgado onde quer que o evangelho chegasse. Já Judas, aparentemente
defendeu os pobres, mas não podemos assegurar que desejava realmente ajudá-los.
Por outro lado, de nada
adianta a motivação correta sem o devido conhecimento da verdade. Um grande
exemplo disso é o próprio apóstolo Paulo. Enquanto perseguia os cristãos,
acreditava estar fazendo a vontade de Deus, sua motivação estava correta, mas
somente quando foi confrontado por Cristo é que verdadeiramente pôde compreender
a vontade de Deus e trabalhar em seu Reino.
Nosso coração é tão
enganoso, como declarou o profeta Jeremias, (Jr 17.9) que muitas vezes, tendemos a
mascarar verdades para nós mesmos.
É preciso nos questionarmos
em todo o tempo com reflexões do tipo: Qual é minha motivação ao planejar, realizar
isso hoje? Ela culminará em exaltação a Deus ou a mim mesmo (a)? Ela
contribuirá para a expansão do Reino de Deus? Ela abençoará alguém? Pensemos constantemente
no que declarou Paulo: “Por último, meus irmãos,
encham a mente de vocês com tudo o que é bom e merece elogios, isto é, tudo o que é verdadeiro, digno, correto,
puro, agradável e decente”. (Fp 4:8 NTLH)
Portanto, caso desejemos sinceramente
agradar ao nosso Pai Celeste, viver para Ele e trabalhar em sua seara, semeando
as boas novas e sendo cooperadores de Deus, oremos ao Senhor e peçamos a Ele
para sondar nossos corações e direcionar nossas motivações, conforme pediu o Salmista
“Sonda-me, ó Deus, e conhece
o meu coração; prova-me, e conhece as minhas inquietações. Vê se em minha conduta
algo que te ofende, e dirige-me pelo caminho eterno”.(Sl 139:23-24)
Que o
Senhor nos abençoe.
