segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

QUAL É A SUA MOTIVAÇÃO?

                                                 
                                 
Nos últimos meses a palavra motivação tem ocupado frequentemente minhas reflexões. Não aquela motivação prometida pelos livros de autoajuda ou palestras que prometem estimular e ensinar o segredo do sucesso. Falo de uma motivação mais profunda, que norteia a razão de nossas ações, que está no cerne de tudo o que pensamos, planejamos e executamos em benefício próprio, do outro e do reino de Deus. Um assunto que merece nossa atenção, visto que perpassa por tudo o que realizamos, sejam decisões simples, corriqueiras, ou sérias. Não existe ação sem motivação.
Definida pelo dicionário Aurélio como conjunto de fatores psicológicos (conscientes ou inconscientes) de ordem fisiológica, intelectual ou afetiva, os quais agem entre si e determinam a conduta de um indivíduo, essa motivação precisa frequentemente ser analisada, pois revela os sentimentos mais profundos que abrigamos em nosso interior.
 O apóstolo Paulo nos deu um sábio conselho na Epístola aos Filipenses, quando disse: “Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a vocês mesmos” (Fp2, 3 NVI), ou em outra versão: “Não façam nada por interesse pessoal ou por desejos tolos de receber elogios; mas sejam humildes e considerem os outros superiores a vocês mesmos” (Fp2,3 NTLH).
Esta passagem evidencia que quando realizamos algo em prol do Reino de Deus, nossas motivações podem ser variadas. Desde o desejo de promover nossa própria imagem ou de um amigo, ou ainda estorvar uma pessoa ou instituição. Tais motivações poderão até dar resultados no plano terreno, mas estes, além de serem negativos no sentido espiritual, poderão nos conduzir à reprovação diante de Deus naquele Grande Dia em que todos nós estaremos diante dEle, prestando contas de nossas ações.
Em tempos hodiernos, em que as redes sociais estão a todo o vapor, a exemplo do facebook, twiter e outros, é necessário frequentemente revermos as motivações que geram nossas manifestações nas mesmas. Quanto mais ativa é uma pessoa, mais é necessário que esta reveja e repense acerca do que a move a estar postando determinada imagem ou comentário. Muitos estão expondo a vida privada, os sonhos, a família (inclusive crianças) sem antes passar pelo crivo da reflexão. E toda esta exposição certamente tem consequências positivas ou negativas.
Achei muito positivo o conselho publicado no Jornal Mensageiro da Paz que alerta:
De acordo com pesquisa realizada no Brasil pelo Centro de Estudos sobre as tecnologias da Informação, 68% dos pais acham que os filhos não irão passar por situações de risco na internet. Enquanto isso, casos de sequestros, roubos, e pedofilia são cada vez mais comuns e se tornam ainda mais fáceis de serem cometidos, uma vez que a rede oferece não só a imagem da criança, mas de também sua localização exata, lugares que frequenta, trabalho dos pais, bens da família, etc. Uma dica importante é limitar a divulgação entre parentes e melhores amigos. Isso pode ser feito alterando a configuração das postagens, que nunca deve ter a opção “publica” (visível para qualquer pessoa) Mesmo quem limita apenas ao grupo “amigos” deve restringir ainda mais determinadas imagens, já que nem todos são realmente pessoas próximas. No facebook, por exemplo, basta clicar em “Configurações” e depois em “Privacidade” para fazer filtros de segurança, escolhendo quem pode ver ou não seus posts. Mostrar informações escritas de onde estuda, mora, endereços, fotos de casa é perigoso, pois podem expor a localização da criança e locais que ela frequenta. Nunca poste fotos da criança nua, mesmo bem pequena. Não poste fotos que possam envergonhá-la no futuro, nem que mostrem objetos de valor da família. Outro grande risco é deixar que crianças criem seus próprios perfis nas redes sociais. Se os próprios sites estabelecem limite de idade, por que ensinar seus filhos a desrespeitá-lo? (MP, p. 19, Fonte NIC)
         Diante do mundo tenebroso em que vivemos, precisamos refletir não somente acerca de nossas próprias motivações e de nossos cônjuges e filhos, mas também das consequências das mesmas para o nosso futuro, de nossa família, e também dos grupos que participamos, como a igreja, por exemplo.
Por outro lado, temos visto uma enxurrada de debates de toda a sorte, nos quais muitos denigrem instituições ou crenças, atacam os contrários e tentam de muitas maneiras demonstrar que suas teorias estão corretas. Alguns com sinceridade desejam defender o que acreditam, mas como a linha entre a defesa e o ataque é muito tênue, podem contribuir mais ainda para que a imagem das instituições que defendem ser denegrida.
Enfim, seja qual for a nossa postura, se não tivermos a motivação correta, poderemos até acreditar estarmos agindo em prol do Reino de Deus, e naquele Grande Dia sermos decepcionados pela resposta do Mestre.
Enquanto ser onisciente, Deus conhece profundamente nossos corações a verdadeira natureza de nossas motivações. O episódio na casa de Simão, por exemplo, (confira João 12) quando Maria foi mal interpretada e criticada por muitos quando colocou aos pés do Mestre aquele perfume caríssimo, o que era considerado um desperdício, mas Jesus que conhecia sua motivação (a qual buscava demonstrar sua devoção ao Mestre) não somente declarou que sua ação era boa, como afirmou que aquele gesto de amor seria divulgado onde quer que o evangelho chegasse. Já Judas, aparentemente defendeu os pobres, mas não podemos assegurar que desejava realmente ajudá-los.
Por outro lado, de nada adianta a motivação correta sem o devido conhecimento da verdade. Um grande exemplo disso é o próprio apóstolo Paulo. Enquanto perseguia os cristãos, acreditava estar fazendo a vontade de Deus, sua motivação estava correta, mas somente quando foi confrontado por Cristo é que verdadeiramente pôde compreender a vontade de Deus e trabalhar em seu Reino.
Nosso coração é tão enganoso, como declarou o profeta Jeremias,  (Jr 17.9) que muitas vezes, tendemos a mascarar verdades para nós mesmos.
É preciso nos questionarmos em todo o tempo com reflexões do tipo: Qual é minha motivação ao planejar, realizar isso hoje? Ela culminará em exaltação a Deus ou a mim mesmo (a)? Ela contribuirá para a expansão do Reino de Deus? Ela abençoará alguém? Pensemos constantemente no que declarou Paulo: “Por último, meus irmãos, encham a mente de vocês com tudo o que é bom e merece elogios, isto é, tudo o que é verdadeiro, digno, correto, puro, agradável e decente”. (Fp 4:8 NTLH)  
Portanto, caso desejemos sinceramente agradar ao nosso Pai Celeste, viver para Ele e trabalhar em sua seara, semeando as boas novas e sendo cooperadores de Deus, oremos ao Senhor e peçamos a Ele para sondar nossos corações e direcionar nossas motivações, conforme pediu o Salmista “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece as minhas inquietações. Vê se em minha conduta algo que te ofende, e dirige-me pelo caminho eterno”.(Sl 139:23-24)
Que o Senhor nos abençoe.



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