terça-feira, 22 de abril de 2014

UM LUGAR PERTO DO MESTRE


Imagino que aquela manhã para Marta começou cedo. Seus pés talvez já manifestavam os sinais de cansaço, resultantes das horas que ficara em pé ou andando rapidamente de um lado para o outro. Havia ordens a serem dadas, comidas a serem preparadas, tarefas a serem feitas... Afinal em sua casa iria estar Jesus, o mais ilustre de seus amigos e possivelmente uma comitiva com ele.
A refeição precisava estar pronta em tempo hábil, as toalhas, os talheres, a água para lavarem-se, a bacia... Enfim, tantos preparativos!
E as ações que levariam ao resultado final não eram de simples execução, uma vez que naquela época não existiam as tecnologias que facilitam a vida moderna.
Imagine se a água acaba ou o pão não é suficiente? Não era possível ir ao supermercado mais próximo nem ligar para a empresa responsável!
Provavelmente Marta, como boa anfitriã que era, precisou de horas de preparação a fim de adquirir tudo o que era necessário para receber os hóspedes e oferecer-lhes um pouco de conforto e alimento, após a longa e fatigante jornada a pé.
Não é de se admirar que entendamos perfeitamente seu desabafo a respeito do comportamento de Maria.
A doce Maria em meio àquela agitação que circundava os preparativos da recepção de Jesus não tinha os mesmos sentimentos que sua irmã.
Provavelmente Marta era sanguínea, ágil, decidida, enquanto Maria era introspectiva, observadora e reclusa.
Em sua simplicidade buscou um lugarzinho entre as visitas e dedicou toda a sua atenção ao Mestre.
É possível imaginar os sentimentos de Marta ao contemplar esta cena.
Suas palavras provavelmente traduzem cansaço e um pedido de ajuda. Provavelmente esperava que a pequena Maria fosse aconselhada a se retirar da sala de estar.
Certamente muitas de nós nos identificamos com Marta e talvez exista uma parte de nós que ache injusta a resposta de Jesus.
O trabalho justo, necessário e constante consome todo o nosso tempo a ponto de não conseguirmos nos sentar na sala de estar, aos pés do Mestre.
Nos sentimos tristes e terrivelmente injustiçadas com as respostas recebidas.
E a vida se revela como uma corda bamba, na qual é necessário o total equilíbrio entre tantas funções para não desmoronar.
No entanto o conselho do Mestre deve ser visto do ponto de vista de alguém que sabia exatamente o que se passava na mente de Marta, que considerava cada gesto de esforço realizado, que via cada ação feita e, principalmente, que compreendia suas motivações.
A melhor parte estava também à disposição de Marta e ela podia fazer sua escolha.
Era possível agradá-lo mais ainda estando disposta a ouvir seus ensinos.
Aquelas palavras impactaram a vida de Marta e a fizeram refletir acerca da sua disposição em servir a Jesus.
Essas mesmas palavras podem direcionar nossas vidas e nos mostrar que é preciso ir à sala de estar e ouvir o Mestre. Buscar um lugar e um tempo para não apenas falar com ele, mas, principalmente para ouvir sua terna voz. Desse modo, teremos forças para seguir adiante na grande e cansativa jornada da vida.


domingo, 13 de abril de 2014

HÁ UM CONTRASTE...


 Há um contraste entre as multidões que louvam alto em rede nacional e os pequenos grupos que se escondem nas cavernas.
Há um contraste entre o som estrondeante dos instrumentos e o sussurro das pequenas reuniões nas casas ou em lugares ocultos.
Há um contraste entre os milhares que pulam e vibram nos shows e os milhares que correm para preservar sua vida.
Há um contraste entre os rostos despreocupados e os semblantes de constante vigilância e medo.
Há um contraste entre a total liberdade dos sorrisos, das vozes, dos gestos das multidões e a adoração em silencio quase muda.
Há um contraste entre os milhões de templos suntuosos existentes pelas terras nacionais e as pequenas construções marcadas pela ação do tempo ou destruídas pelos inimigos.
Há um contraste entre juras de amor somente através de palavras e ação de entregar a própria vida.
Há um contraste entre os falatórios entre irmãos e a unidade incontestável que faz dar a vida uns pelos outros.
Há um contraste entre a ausência de perdão e a dureza dos corações e a incrível capacidade de amar aos inimigos.
Há um contraste entre a aparente santidade e a obediência incondicional.
Há um contraste entre a vida cristã artificial e a vida no cristianismo verdadeiro.
Há um contraste entre as multidões brasileiras que se arrastam atrás de um evangelho fácil e as multidões arrastadas sobre o próprio sangue nos países perseguidos.
Cristãos perseguidos: um exemplo nos ensina a sermos verdadeiros!

obs. Conheça mais sobre os cristãos secretos e perseguidos e se ame esta causa
https://www.portasabertas.org.br/



segunda-feira, 7 de abril de 2014

A ESCURIDÃO DA NOITE





A noite cai devagar e pouco a pouco os pequenos raios de Sol desaparecem no horizonte.
É incrível como ela traz recordações e pensamentos profundos. É símbolo de tristeza e solidão. Na natureza, até mesmo os animais, de hábitos diurnos, entendem que esse é o momento de recolherem-se e silenciarem.
Mas a noite pode trazer pesadelos terríveis, daqueles que não temos desejo de acordar.
A chegada da noite para algumas pessoas pode ser traduzida como a aproximação de um problema, não a noite comum, quando o dia se vai, mas a noite simbólica.
Existe um salmo que diz que “o choro pode durar a noite inteira, mas a alegria vem ao amanhecer” (Sl 30.5)
Para muitas pessoas essa noite dura o mesmo que uma eternidade de sofrimento e não é possível ver a famosa e desejada luz no fim do túnel, pois parece que ela não existe.
As dores invadem o corpo e perpassam para todas as células, fazendo a alma se esvair em lágrimas na busca por um alívio.
O antídoto para essas dores não pode ser comprado no estabelecimento comercial mais próximo, nem foi descoberto a partir de pesquisas científicas, nem mesmo pode ser adquirido através de um amigo ou familiar.
O remédio para essas dores não está associado a um consultório, a aparelhos, a agulhas e seringas...
A solução para as doenças da alma não é palpável nem visível. Embora explicada pelos teólogos, não depende de escolaridade nem de posição social.
A resposta procurada chama-se  e é traduzida pelo escritor aos hebreus como a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos.
Não é fácil acreditar em algo que não é possível mensurar. Talvez seja por esse motivo que a fé para alguns é loucura.
No entanto, de acordo com a Palavra, ela é um fundamento importante e necessário para recebermos as bênçãos de Deus.
É preciso buscá-la através da oração e exercitá-la na vivência cotidiana.
Acreditar que "se há noite escura, também existe manhã radiante" (John Archibald)
As vezes é preciso atravessar um rio revolto para descobrir a força que temos.



PARA REFLETIR...

Amor maiúsculo 
Um homem de idade já bem avançada veio à Clínica onde trabalho, para fazer um curativo na mão ferida. Estava apressado, dizendo-se atrasado para um compromisso, e enquanto o tratava perguntei-lhe sobre qual o motivo da pressa.
Ele me disse que precisava ir a um asilo de anciãos para, como sempre, tomar o café da manhã com sua mulher que estava internada lá. Disse-me que ela já estava há algum tempo nesse lugar porque tinha um Alzheimer bastante avançado.
Enquanto acabava de fazer o curativo, perguntei-lhe se ela não se alarmaria pelo fato de ele estar chegando mais tarde.
- Não, ele disse. Ela já não sabe quem eu sou. Faz quase cinco anos que não me reconhece.
Estranhando, lhe perguntei:
- Mas se ela já não sabe quem o senhor é, porque essa necessidade de estar com ela todas as manhãs?
Ele sorriu e dando-me uma palmadinha na mão, disse:
- É . Ela não sabe quem eu sou, mas eu contudo sei muito
bem quem é ela.
Meus olhos lacrimejaram enquanto ele saía e eu pensei:
- Essa é a classe de amor que eu quero para a minha vida.
verdadeiro amor não se reduz ao físico nem ao romântico.
O verdadeiro amor é a aceitação de tudo o que o outro é, do que foi, do que será  e... do que já não é....

(Autor desconhecido)

ONDE ESTÁ O VOSSO TESOURO?





É interessante observar nas histórias cujos temas são voltados para a caça ao tesouro, grupo de pessoas organizadas e dispostas a enfrentar as maiores dificuldades com o objetivo de encontrar um tesouro que, invariavelmente, se encontra em um local quase inacessível. Muitos morrem em busca desse tesouro e apenas uma ou duas pessoas podem chamá-lo de seu.
Um tesouro perecível, no qual as pessoas colocam o seu coração, conforme diz a Palavra em Mateus 6:21: “ Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”.
Pensando nisso, é inevitável o questionamento: ONDE ESTÁ O MEU TESOURO?
O dicionário se refere a tesouro tanto para definir um objeto ou pessoa preciosa quanto o lugar onde essas riquezas estão depositadas.
Partindo dessa premissa, e sabendo que um tesouro pode ser compreendido como algo que é prioritário em nossas vidas, essa questão ganha um valor incalculável.
Mas não é possível fugir de outra questão  que vem primeiro: O QUE É O MEU TESOURO? Ou, O QUE SÃO AS COISAS REALMENTE VALIOSAS PARA MIM?
A lista pode ser infinita com de elementos de natureza diversa: para alguns,  a família pode ser um tesouro. Para os materialistas, a empresa, a profissão ou ascensão profissional no sentido de lucro. Para uns, as pessoas podem ser um grande tesouro, bem como o agir em prol delas. Para outros, a diversão e para outros  alguns prazeres sejam eles de que natureza for. Para tantos, a vida é o maior tesouro ou simplesmente os sonhos e objetivos.
Enfim, cada ser humano à medida que desenha sua trajetória na Terra, elege, escolhe e ajunta para si tesouros. Não somente bens materiais, mas toda a sorte de coisas, sentimentos e ações que se tornam parte intrínseca da vida e guiam impulsos, desejos e vontades até governarem o coração.
Pensar não só no tesouro em si, mas também no lugar onde eu o coloco é igualmente importante, ou seja, a prioridade que é dada a tudo o que elegemos como importante de acordo com nossos padrões.
Pois segundo a palavra “no lugar onde estiver o nosso tesouro, ali estará também o nosso coração” (6. 21).
Contudo, ao pensarmos na mangedoura em Belém, onde descansava o pequeno Jesus, vi que os reis que foram adorá-lo lhe ofereceram seus tesouros, conforme relata Mateus 2:11 “E, entrando na casa, acharam o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra”.
Não tive como fugir da indagação: TERIA EU CONDIÇÕES, CORAGEM E DESPREENDIMENTO PARA OFERTAR AO SENHOR MEUS TESOUROS?
E ainda: MEUS TESOUROS SERIAM ACEITOS POR ELE, OU SERIAM DIGNOS DE SER OFERECIDOS.
Evidente que eu só ofereceria algo tão precioso a alguém definitivamente importante para mim e a depender do lugar em que coloco esses tesouros e da importância deles para mim.
Para pensar nisso, não posso fugir das questões existências: QUEM SOU? ONDE ESTOU? PARA ONDE VOU?
Se me reconheço como filha de Deus, aceita não por mérito, mas por graça, através do sacrifício vicário de Cristo, com o objetivo de viver uma vida santa, separada de tudo aquilo que desagrada ao meu Pai com o objetivo de, humildemente, servir a ele, o que implica, prioritariamente levar outros ao conhecimento da verdade, ainda que tal serviço jamais pagaria o alto preço que foi pago por minha alma,  tanto o tesouro quanto o lugar onde vou colocá-lo mudam radicalmente.
Se me reconheço como sua filha, e isso é escolha e não imposição do Pai, logo, em primeira instancia, a vida já não mais me pertence, mas à Ele.
E mais uma vez preciso me indagar: COMO POSSO EU DEFINIR TESOUROS EM UMA VIDA  QUE NÃO ME PERTENCE?
Tudo aquilo que eu reputava por valioso de repente pode tornar-se numa fumaça quando penso no que está escrito em Mateus 6:19 : “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam.”
Ou seja: até quando estarei viva? Ou até onde me acompanharão meus bens materiais? Meus títulos, minhas vaidades, meus orgulhos...
Ou até quando terei minha família, meus sonhos... Sagrados demais para levar à mangedoura, mas que, num só momento, poderão não existir mais?
Jó responderia bem a essa pergunta.
Praticamente dormiu tendo tudo e acordou tendo apenas a vida.
Mas o registro Bíblico não para na ordenança, também orienta: Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. (Mateus 6:20) 
E agora, penso: QUAL É A MINHA ESSÊNCIA?
É terrena ou divina? Ou seja, estou me preparando para morar onde?
Onde será minha casa eterna? Minha habitação? Será terrestre ou celestial.
Da parte de Cristo já está prometido “foi preparar-nos lugar” (Jo 14.3).
Mas e eu?  Estou me preparando também para este lugar?
Certamente muitas coisas do que investimos nossas forças para alcançar e damos nosso tempo para conquistar não tem valor algum no âmbito espiritual.
A única coisa importante nesse sentido são as pessoas. Sim pessoas SÃO VERDADEIRAMENTE TESOUROS. Mas não no sentido de apegar-se a elas, ou colocá-las acima de tudo. Mas no sentido de conduzi-las ao Senhor de tudo e de todos.
Só as levaremos a Ele, se o próprio Deus for MAIS VALIOSO DO QUE QUALQUER OUTRO SER OU COISA NA TERRA PARA NÓS.
Assim não será pesada demais a ordem: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me”.( Mateus 19:21)
Pois se cumprirá a palavra que diz, “Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém. ( Rm 11:36)