Conhecida como a "doença do século"
a depressão tem invadido vidas, desequilibrado a paz em famílias e por muitas
vezes deixando um rastro de dor irreparável. Devemos cuidar bem das pessoas com
essa doença. E sim, assumir a doença como ela é, e que precisa de tratamento,
intervenção psicológica, clinica e espiritual.
Deus é capaz de mudar histórias e eu pude
acompanhar de perto mudanças na vida de pessoas queridas por mim que sofreram
com esse problema.
Não existe em pedir ajuda. E faça isso logo.
Esse texto é muito pertinente a respeito do
assunto:
De uma hora para a
outra ela volta.
Como uma visita
indesejada, desarruma tudo de lugar, desorganiza os móveis e levanta a poeira.
Você então perde o interesse em fazer coisas que antes eram divertidas, mas não
faz ideia do porque isso está acontecendo. A depressão desestabiliza a mente,
cega a visão e remove a perspectiva de novamente enxergar luz.
Tudo é tão escuro!
A esperança vai
embora e desta vez (posso jurar) jamais voltará. A mente, novamente em
reclusão, passa a criar histórias em uma tentativa de sobrevivência, cria
roteiros e ensaia cenas de um futuro que na verdade jamais acontecerá. É a
demissão, é a solteirisse como ponto final, a inexistência de amigos e a baixa
auto-estima. Uma voz – que na verdade é o seu próprio pensamento – repete vez
após vez: você não vale nada, você não é nada, ninguém te ama.
As emoções se tornam
maiores que os fatos. Para o depressivo, aquela é a verdade. Ele acredita estar
vivendo na maior completa realidade, mas são apenas percepções ilusórias.
Nada de bom cresce na
escuridão. Nada! Mas tem algo que precisa desse tipo de ambiente: o pensamento
de morte.
A imaginação – leia
novamente, a imaginação – de que apenas um final definitivo pode te remover
daquela areia movediça que te suga para baixo. Nada é pior do que só enxergar
essa opção e o seu único desejo é acabar com essa dor dilacerante.
Mas ainda que seja
muito sofrido viver, as pessoas que nós amamos e que nos amam são motivos
suficientes para tentar mais uma vez.
Ela tomou o seu
tempo, exigiu de seu pensamento muito mais do que um músculo é exercitado em
uma ginástica, sugou a sua energia e tempo e então, subitamente, vai embora.
Tudo isso, luz-escuridão-luz, durou cerca de cinco minutos.
A pior parte de ter
depressão é que você sabe o quão ridícula é a sua situação.
Você sabe que aquilo
já aconteceu uma vez. Você pode tentar utilizar de artifícios para distrair a
mente e espairecer um pouco mas, de alguma forma, você não enxerga uma saída.
Feito um pequeno monstro de estimação ela vem frequentemente para se alimentar
e quando está saciada volta a brincar.
Em momentos
depressivos o mostro quer atenção integral e, como consequência, você se isola.
Uma ideia se instala em sua mente de que não há ninguém com quem buscar ajuda;
que você é o responsável por lidar com aquele monstrinho. A vergonha de – mais
uma vez – estar naquele lugar te impede de gritar socorro. Você pode olhar para
o telefone e ainda assim não ter forças para selecionar um contato e pedir
ajuda.
Porém, feito uma bola
de neve, cada vez que ela volta parece pior, o animal precisa de mais alimento
e sua alma vai se deteriorando. E então uma contestação: o silêncio piorou a
situação.
Entenda, o humor do
ser humano muda de acordo com a fase em que está vivendo. Em um mesmo dia é
possível sentir um espectro de emoções que varia de alegria à dor, do medo ao
fracasso. Mas, na depressão, não importa o que está acontecendo do lado de
fora, por dentro é que está desregulado.
Depressão não é o que
você sente quando um parente morre, quando um amor se desfaz ou quando o dia
parece estar dando errado. A depressão é uma mente que está triste quando –
aparetemente – não há razão para tal. Depressão não é sinônimo de tristeza para
perdas catastróficas. É muita tristeza e por qualquer motivo.
Todos temos as nossas
lutas e precisamos aprender a lidar com elas. O que um depressivo precisa
aprender é a tratar aquilo como uma visitante, não como uma hospede. Ela não
faz e não deve fazer parte de seu cotidiano. Não é algo para se domesticar,
portanto, “não alimente os animais”. Deixe-o morrer de fome.
Será preciso
intervenção química, psicológica e espiritual.
Para matar o
monstrinho de fome, você é que precisa se alimentar. Você precisa consumir
cultura, entretenimento, alegria e muito, muito auto-conhecimento. A depressão
fez com que eu conhecesse o ser que habitava dentro de mim.
Você vai precisar
cultivar amizades, aprender que outras pessoas podem caminhar ao seu lado e que
o monstrinho não deve possuir toda a sua atenção. Cultive fé. Deixe crescer
perseverança e bom-ânimo.
Pode parecer piegas,
mas é exatamente uma atitude positiva com a vida que pode te tirar desse poço
aparentemente sem fim. E é claro, para começar esse processo uma coisa é
essencial: assumir a depressão.
Afastá-la e fingir que nada está acontecendo só a fortalecerá.
Não sinta vergonha de
encarar isso. Não há problema algum em assumir a depressão. Não foi culpa sua,
ela é uma invasora e entenda que sim, é uma doença – que já foi diagnosticada,
que atinge muitas outra pessoas e que já possui tratamento. Você provavelmente
precisará de ajuda e alguém com quem conversar – que te entenda, que seja
solidário, que abra o coração sem preconceito para te ouvir e que abrace sua
mão para buscar um tratamento adequado. E está tudo bem. De verdade.
E quanto aos
remédios, o que é que tem? Não é um tratamento que visa trazer a felicidade mas
sim tornar a tristeza suportável para que você possa então perceber os pontos
positivos de sua vida. E acredite em mim quando eu digo que eles existem. Faça
uma forcinha para percebe-los.
Mas lembre-se: ela é uma visitante, não uma moradora. Por mais bagunça
que possa fazer, por mais que atrapalhe a sua intimidade e te prive de fazer
algumas coisas, ela um dia irá embora e você novamente irá sorrir e, quando
voltar, pare e reflita com bravura: o que eu posso aprender com essa crise? É
uma honra aprender, crescer e amadurecer dessa forma.
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Disponivel em:
Acesso em 18/06/2015