Imagino que aquela manhã para Marta começou cedo. Seus pés talvez já manifestavam os sinais de cansaço, resultantes das horas que ficara em pé ou andando rapidamente de um lado para o outro. Havia ordens a serem dadas, comidas a serem preparadas, tarefas a serem feitas... Afinal em sua casa iria estar Jesus, o mais ilustre de seus amigos e possivelmente uma comitiva com ele.
A refeição precisava estar pronta em tempo hábil, as toalhas, os talheres, a água para lavarem-se, a bacia... Enfim, tantos preparativos!
E as ações que levariam ao resultado final não eram de simples execução, uma vez que naquela época não existiam as tecnologias que facilitam a vida moderna.
Imagine se a água acaba ou o pão não é suficiente? Não era possível ir ao supermercado mais próximo nem ligar para a empresa responsável!
Provavelmente Marta, como boa anfitriã que era, precisou de horas de preparação a fim de adquirir tudo o que era necessário para receber os hóspedes e oferecer-lhes um pouco de conforto e alimento, após a longa e fatigante jornada a pé.
Não é de se admirar que entendamos perfeitamente seu desabafo a respeito do comportamento de Maria.
A doce Maria em meio àquela agitação que circundava os preparativos da recepção de Jesus não tinha os mesmos sentimentos que sua irmã.
Provavelmente Marta era sanguínea, ágil, decidida, enquanto Maria era introspectiva, observadora e reclusa.
Em sua simplicidade buscou um lugarzinho entre as visitas e dedicou toda a sua atenção ao Mestre.
É possível imaginar os sentimentos de Marta ao contemplar esta cena.
Suas palavras provavelmente traduzem cansaço e um pedido de ajuda. Provavelmente esperava que a pequena Maria fosse aconselhada a se retirar da sala de estar.
Certamente muitas de nós nos identificamos com Marta e talvez exista uma parte de nós que ache injusta a resposta de Jesus.
O trabalho justo, necessário e constante consome todo o nosso tempo a ponto de não conseguirmos nos sentar na sala de estar, aos pés do Mestre.
Nos sentimos tristes e terrivelmente injustiçadas com as respostas recebidas.
E a vida se revela como uma corda bamba, na qual é necessário o total equilíbrio entre tantas funções para não desmoronar.
No entanto o conselho do Mestre deve ser visto do ponto de vista de alguém que sabia exatamente o que se passava na mente de Marta, que considerava cada gesto de esforço realizado, que via cada ação feita e, principalmente, que compreendia suas motivações.
A melhor parte estava também à disposição de Marta e ela podia fazer sua escolha.
Era possível agradá-lo mais ainda estando disposta a ouvir seus ensinos.
Aquelas palavras impactaram a vida de Marta e a fizeram refletir acerca da sua disposição em servir a Jesus.
Essas mesmas palavras podem direcionar nossas vidas e nos mostrar que é preciso ir à sala de estar e ouvir o Mestre. Buscar um lugar e um tempo para não apenas falar com ele, mas, principalmente para ouvir sua terna voz. Desse modo, teremos forças para seguir adiante na grande e cansativa jornada da vida.

Gostei!!! Fez a ponte entre uma passagem tão antiga e a nossa realidade! Um olhar lindo sobre a condição de Marta.
ResponderExcluirObrigada, querida professora Josi! Espero que continues apreciando as postagens!
ResponderExcluirQue texto excelente, pude ouvir a voz de Deus falando ao meu coração.
ResponderExcluirObrigada Mariene Prachedes! É uma alegria quando Deus nos inspira e nos usa para abençoar vidas!
ExcluirRealmente precisamos ir ate a "sala de estar", parar tudo e ir ao encontro do Mestre! Muito forte!!!
ResponderExcluirÉ verdade Suzane Vieira. São esses momentos com o Mestre que nos torna capazes de vencer as adversidades.
ExcluirLinda mensagem uma reflexão para os dias atuais.
ResponderExcluirOnde o tempo se tornou tao escasso diante de tantos afazeres.Mas devemos ter o nosso momento com o Mestre.Ele sempre estará ali na "sala" nos esperando para conversar.