É interessante observar nas histórias cujos
temas são voltados para a caça ao tesouro, grupo de pessoas organizadas e
dispostas a enfrentar as maiores dificuldades com o objetivo de encontrar um
tesouro que, invariavelmente, se encontra em um local quase inacessível. Muitos
morrem em busca desse tesouro e apenas uma ou duas pessoas podem chamá-lo de
seu.
Um tesouro perecível, no qual as pessoas
colocam o seu coração, conforme diz a Palavra em Mateus 6:21: “ Porque onde
estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”.
Pensando nisso, é inevitável o
questionamento: ONDE ESTÁ O MEU TESOURO?
O dicionário se refere a tesouro tanto para
definir um objeto ou pessoa preciosa quanto o lugar onde essas riquezas estão
depositadas.
Partindo dessa premissa, e sabendo que um
tesouro pode ser compreendido como algo que é prioritário em nossas vidas, essa
questão ganha um valor incalculável.
Mas não é possível fugir de outra questão
que vem primeiro: O QUE É O MEU TESOURO? Ou, O QUE SÃO AS COISAS
REALMENTE VALIOSAS PARA MIM?
A lista pode ser infinita com de elementos
de natureza diversa: para alguns, a família pode ser um tesouro. Para os
materialistas, a empresa, a profissão ou ascensão profissional no sentido de
lucro. Para uns, as pessoas podem ser um grande tesouro, bem como o agir
em prol delas. Para outros, a diversão e para outros alguns prazeres
sejam eles de que natureza for. Para tantos, a vida é o maior tesouro ou
simplesmente os sonhos e objetivos.
Enfim, cada ser humano à medida que desenha
sua trajetória na Terra, elege, escolhe e ajunta para si tesouros. Não somente
bens materiais, mas toda a sorte de coisas, sentimentos e ações que se tornam
parte intrínseca da vida e guiam impulsos, desejos e vontades até governarem o
coração.
Pensar não só no tesouro em si, mas também
no lugar onde eu o coloco é igualmente importante, ou seja, a prioridade que é
dada a tudo o que elegemos como importante de acordo com nossos padrões.
Pois segundo a palavra “no lugar onde
estiver o nosso tesouro, ali estará também o nosso coração” (6. 21).
Contudo, ao pensarmos na mangedoura em
Belém, onde descansava o pequeno Jesus, vi que os reis que foram adorá-lo lhe
ofereceram seus tesouros, conforme relata Mateus 2:11 “E, entrando na casa,
acharam o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os
seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra”.
Não tive como fugir da indagação: TERIA EU
CONDIÇÕES, CORAGEM E DESPREENDIMENTO PARA OFERTAR AO SENHOR MEUS TESOUROS?
E ainda: MEUS TESOUROS SERIAM ACEITOS POR
ELE, OU SERIAM DIGNOS DE SER OFERECIDOS.
Evidente que eu só ofereceria algo tão
precioso a alguém definitivamente importante para mim e a depender do lugar em
que coloco esses tesouros e da importância deles para mim.
Para pensar nisso, não posso fugir das
questões existências: QUEM SOU? ONDE ESTOU? PARA ONDE VOU?
Se me reconheço como filha de Deus, aceita
não por mérito, mas por graça, através do sacrifício vicário de Cristo, com o
objetivo de viver uma vida santa, separada de tudo aquilo que desagrada ao meu
Pai com o objetivo de, humildemente, servir a ele, o que implica,
prioritariamente levar outros ao conhecimento da verdade, ainda que tal serviço
jamais pagaria o alto preço que foi pago por minha alma, tanto o tesouro
quanto o lugar onde vou colocá-lo mudam radicalmente.
Se me reconheço como sua filha, e isso é
escolha e não imposição do Pai, logo, em primeira instancia, a vida já não mais
me pertence, mas à Ele.
E mais uma vez preciso me indagar: COMO
POSSO EU DEFINIR TESOUROS EM UMA VIDA QUE NÃO ME PERTENCE?
Tudo aquilo que eu reputava por valioso de
repente pode tornar-se numa fumaça quando penso no que está escrito em Mateus
6:19 : “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo
consomem, e onde os ladrões minam e roubam.”
Ou seja: até quando estarei viva? Ou até
onde me acompanharão meus bens materiais? Meus títulos, minhas vaidades, meus
orgulhos...
Ou até quando terei minha família, meus
sonhos... Sagrados demais para levar à mangedoura, mas que, num só momento,
poderão não existir mais?
Jó responderia bem a essa pergunta.
Praticamente dormiu tendo tudo e acordou
tendo apenas a vida.
Mas o registro Bíblico não para na
ordenança, também orienta: Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a
ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. (Mateus 6:20)
E agora, penso: QUAL É A MINHA ESSÊNCIA?
É terrena ou divina? Ou seja, estou me
preparando para morar onde?
Onde será minha casa eterna? Minha
habitação? Será terrestre ou celestial.
Da parte de Cristo já está prometido “foi
preparar-nos lugar” (Jo
14.3).
Mas e eu? Estou me preparando também
para este lugar?
Certamente muitas coisas do que investimos
nossas forças para alcançar e damos nosso tempo para conquistar não tem valor
algum no âmbito espiritual.
A única coisa importante nesse sentido são
as pessoas. Sim pessoas SÃO VERDADEIRAMENTE TESOUROS. Mas não no sentido de
apegar-se a elas, ou colocá-las acima de tudo. Mas no sentido de conduzi-las ao
Senhor de tudo e de todos.
Só as levaremos a Ele, se o próprio Deus for
MAIS VALIOSO DO QUE QUALQUER OUTRO SER OU COISA NA TERRA PARA NÓS.
Assim não será pesada demais a ordem: “Se
queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um
tesouro no céu; e vem, e segue-me”.( Mateus 19:21)
Pois se cumprirá a palavra que diz, “Porque
dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele
eternamente. Amém. ( Rm 11:36)

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