Para sempre Alice conta a história de Alice Howland, uma mulher bem-sucedida, professora Unjversitária, PHD, que de repente, no auge de sua carreira, se vê diagnosticada com Alzheimer precoce.
Ocorre uma
mudança radical em sua vida. Ela se vê priorizando o que mais importa e a todo
tempo dizendo para si mesma: viva o hoje!
Mas o meu
objetivo não é fazer um tratado, um resumo, uma tese ou mesmo uma crítica ao
livro e ao filme, embora seja importante dizer que considero a abordagem de ambos muito apropriada.
Meu objetivo
é refletir acerca da pessoa de Alice, pois sei que há centenas ou milhares de
Alices por aí.
Engraçado é
que este é o nome de uma garotinha que eu amo muito, minha filha do coração.
Mas ela é tão pequena que mal sabe o significado da palavra Alzheimer. Ela é
verdadeiramente linda, inocente e pequena. Muito falante e determinada. Contudo,
há algo que eu tenho certeza que a senhorita mirim Alice sabe muito bem. É o significado
da máxima pregada pela Alice Howland: Viva o hoje! Sim, as crianças são peritas
nisto, pois elas não precisam se preocupar, ou talvez não tenham com o que se
preocupar, ou entenderam que isto não é necessário. Seja qual for a primeira
hipótese, o certo é que elas têm muito a nos ensinar acerca do carpe diem, ou seja, aproveite bem o
dia.
Não sabemos
se vamos viver 100 anos, se amanhã respiraremos, conforme bem atestou Thiago.
Ouçam agora, vocês que dizem: "Hoje ou amanhã
iremos para esta ou aquela cidade, passaremos um ano ali, faremos negócios e
ganharemos dinheiro”. Vocês nem sabem o que lhes acontecerá amanhã! Que é a sua
vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se
dissipa. Ao invés disso, deveriam dizer: "Se o Senhor quiser, viveremos e
faremos isto ou aquilo". (Tg 4, 13-15)
Não sabemos se
estaremos mais gordos, mais carecas, mais ricos, se ainda teremos uma família,
enfim. Há milhões de possibilidades boas e ruins todos os dias, contudo teimamos
em fazer nossos castelos de sonhos e projetos grandes e audaciosos e nos
culpar, descabelar e preocupar com eles, como humanos e adultos que somos!
Não
compreendo bem em que idade da minha vida comecei a me preocupar e não parei
mais. É provável que nenhum de nós se lembre com exatidão o dia em que perdemos
a doçura e ingenuidade infantis e começamos a carregar este fardo peado e
terrível.
Em um dado
momento da nossa história, percebemos que as preocupações nos consomem, as
aparências falam mais alto, a necessidade de sermos aceitos, e não criticados,
o perfeccionismo, nos faze sermos muito duros conosco mesmo e começamos a nos
cobrar e torturar até que nosso EU não suporta mais e clama por ajuda.
A vida de
Alice é um excelente lembrete de que devemos VIVER! E isto pode não significar
exatamente fazer o que fazemos cotidianamente. Levantar, trabalhar, voltar para
casa, comer, dormir (ou simplesmente deitar). Isso é um ritual, um processo,
qualquer coisa, menos viver. E se ficamos neste ritual, talvez correndo atrás
de projetos grandes, de mais dinheiro, sonhando sempre com as férias para
consertar tudo, talvez um dia nos assustemos ao perceber que o tempo está se
esgotando e que a possibilidade de vier plenamente precisa ser buscada com
afinco.
No caso de
Alice, tudo o que ela reputava como importante, tudo que ela havia lutado para
ter e ser foi deixado para trás. Uma das coisas mais terríveis nesta doença é
que deixamos para trás as coisas e nem sequer nos lembramos delas.
Nos
esquecemos quem somos, quem já fomos e quem gostaríamos de ser. Nos ternamos dependentes,
as vezes solitários em casas de repouso.
Tudo que era importante
torna-se em nada diante da necessidade de se fazer pelo menos o essencial, como
ver os netos nascerem, e passar um tempo de qualidade com quem amamos.
É um grande
drama. E o pior: é real!
Portanto,
enquanto nos é possível, vivamos o tempo presente não amargurados pelo passado
nem assombrados pelo futuro.
Dediquemo-nos
a Deus e ao seu Reino, pois no fim da lida, somente a essência ficará.

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