sábado, 25 de julho de 2015

Viva o hoje!


Para sempre Alice conta a história de Alice Howland, uma mulher bem-sucedida, professora Unjversitária, PHD, que de repente, no auge de sua carreira, se vê diagnosticada com Alzheimer precoce.
Ocorre uma mudança radical em sua vida. Ela se vê priorizando o que mais importa e a todo tempo dizendo para si mesma: viva o hoje!
Mas o meu objetivo não é fazer um tratado, um resumo, uma tese ou mesmo uma crítica ao livro e ao filme, embora seja importante dizer que considero a abordagem de ambos muito apropriada.
Meu objetivo é refletir acerca da pessoa de Alice, pois sei que há centenas ou milhares de Alices por aí.
Engraçado é que este é o nome de uma garotinha que eu amo muito, minha filha do coração. Mas ela é tão pequena que mal sabe o significado da palavra Alzheimer. Ela é verdadeiramente linda, inocente e pequena. Muito falante e determinada. Contudo, há algo que eu tenho certeza que a senhorita mirim Alice sabe muito bem. É o significado da máxima pregada pela Alice Howland: Viva o hoje! Sim, as crianças são peritas nisto, pois elas não precisam se preocupar, ou talvez não tenham com o que se preocupar, ou entenderam que isto não é necessário. Seja qual for a primeira hipótese, o certo é que elas têm muito a nos ensinar acerca do carpe diem, ou seja, aproveite bem o dia.
Não sabemos se vamos viver 100 anos, se amanhã respiraremos, conforme bem atestou Thiago.

Ouçam agora, vocês que dizem: "Hoje ou amanhã iremos para esta ou aquela cidade, passaremos um ano ali, faremos negócios e ganharemos dinheiro”. Vocês nem sabem o que lhes acontecerá amanhã! Que é a sua vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa. Ao invés disso, deveriam dizer: "Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo". (Tg 4, 13-15)

Não sabemos se estaremos mais gordos, mais carecas, mais ricos, se ainda teremos uma família, enfim. Há milhões de possibilidades boas e ruins todos os dias, contudo teimamos em fazer nossos castelos de sonhos e projetos grandes e audaciosos e nos culpar, descabelar e preocupar com eles, como humanos e adultos que somos!
Não compreendo bem em que idade da minha vida comecei a me preocupar e não parei mais. É provável que nenhum de nós se lembre com exatidão o dia em que perdemos a doçura e ingenuidade infantis e começamos a carregar este fardo peado e terrível.
Em um dado momento da nossa história, percebemos que as preocupações nos consomem, as aparências falam mais alto, a necessidade de sermos aceitos, e não criticados, o perfeccionismo, nos faze sermos muito duros conosco mesmo e começamos a nos cobrar e torturar até que nosso EU não suporta mais e clama por ajuda.
A vida de Alice é um excelente lembrete de que devemos VIVER! E isto pode não significar exatamente fazer o que fazemos cotidianamente. Levantar, trabalhar, voltar para casa, comer, dormir (ou simplesmente deitar). Isso é um ritual, um processo, qualquer coisa, menos viver. E se ficamos neste ritual, talvez correndo atrás de projetos grandes, de mais dinheiro, sonhando sempre com as férias para consertar tudo, talvez um dia nos assustemos ao perceber que o tempo está se esgotando e que a possibilidade de vier plenamente precisa ser buscada com afinco.
No caso de Alice, tudo o que ela reputava como importante, tudo que ela havia lutado para ter e ser foi deixado para trás. Uma das coisas mais terríveis nesta doença é que deixamos para trás as coisas e nem sequer nos lembramos delas.
Nos esquecemos quem somos, quem já fomos e quem gostaríamos de ser. Nos ternamos dependentes, as vezes solitários em casas de repouso.
Tudo que era importante torna-se em nada diante da necessidade de se fazer pelo menos o essencial, como ver os netos nascerem, e passar um tempo de qualidade com quem amamos.
É um grande drama. E o pior: é real!
Portanto, enquanto nos é possível, vivamos o tempo presente não amargurados pelo passado nem assombrados pelo futuro.
Dediquemo-nos a Deus e ao seu Reino, pois no fim da lida, somente a essência ficará.



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